O Presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, voltou a pronunciar-se sobre os acontecimentos registados durante as celebrações do primeiro aniversário da formação política, em Quelimane, e lançou um forte apelo à FRELIMO para que, segundo as suas palavras, “se desarme já”.
As declarações foram feitas esta segunda-feira, 17 de Agosto, durante uma transmissão em directo nas redes sociais, na qual Mondlane contestou a versão apresentada pela Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre a intervenção policial que impediu a realização de uma marcha alusiva ao aniversário do partido.
Segundo o líder da ANAMOLA, a actuação das forças de segurança resultou em vários feridos entre membros e apoiantes da formação política. Mondlane afirmou que algumas pessoas teriam sido atingidas por balas reais, enquanto outras foram afectadas pelo gás lacrimogéneo.
A acusação sobre o uso de munições reais, contudo, é contestada pela PRM, que, no seu comunicado sobre os acontecimentos, negou ter recorrido a balas reais e afirmou ter utilizado gás lacrimogéneo para dispersar os participantes.
Mondlane também rejeitou a versão policial de que teria existido um entendimento entre representantes da ANAMOLA e a polícia para limitar a actividade a um “show-mício” dentro do recinto da Sagrada Família.
“A comunicação da polícia, dizendo que houve acordo entre representantes do ANAMOLA e a polícia, é falsa”, afirmou Mondlane.
O dirigente político insistiu que a marcha nem chegou a começar, alegando que os participantes foram impedidos de avançar antes mesmo do início da manifestação.
“A marcha nem chegou a começar. Não deixaram sequer a marcha acontecer.”
Críticas à FRELIMO
Durante a transmissão, Venâncio Mondlane dirigiu duras críticas à FRELIMO, acusando o partido no poder de utilizar as Forças de Defesa e Segurança como instrumento de intervenção política.
“Chegou a hora de o partido do regime, do governo, também se desarmar”, declarou.
O líder da ANAMOLA defendeu que o processo de “desarmamento” não deve ser entendido apenas no sentido literal, mas também como uma mudança de postura política e institucional.
“A FRELIMO tem que se desarmar. Os dirigentes da FRELIMO têm que desarmar as suas mentes, as suas acções e os seus membros”, afirmou.
Mondlane sustentou ainda que as Forças de Defesa e Segurança devem actuar acima das disputas partidárias e representar o Estado e os cidadãos, independentemente da sua filiação política.
Na sua intervenção, defendeu que as forças de segurança sejam “republicanas, apartidárias e públicas”, reiterando a necessidade de separar as instituições do Estado das estruturas partidárias.
ANAMOLA promete denunciar violência política
Venâncio Mondlane afirmou igualmente que a ANAMOLA continuará a denunciar aquilo que considera casos de violência política no país.
O dirigente acusou os responsáveis políticos de exercerem influência sobre as Forças de Defesa e Segurança e apelou para que essas instituições recuperem maior autonomia no cumprimento das suas funções.
“Os dirigentes devem libertar, devem parar de sequestrar as Forças de Defesa e Segurança”, concluiu.
As declarações surgem num momento de elevada tensão política, depois dos acontecimentos de Quelimane, que colocaram novamente no centro do debate questões relacionadas com o direito à manifestação, a actuação das forças de segurança e a separação entre instituições do Estado e interesses partidários.
Enquanto a ANAMOLA contesta a intervenção policial e apresenta a sua própria versão dos acontecimentos, a PRM mantém que actuou para garantir a ordem e segurança públicas, negando o uso de munições reais.
O episódio deverá continuar a alimentar o debate político nacional, sobretudo em torno da actuação das forças de segurança e das relações entre o partido no poder e as forças da oposição. Clique e acompanha mais na fonte...
