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PRM justifica intervenção contra ANAMOLA em Quelimane e nega uso de balas reais


QUELIMANE — O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia veio a público justificar a intervenção policial ocorrida durante as celebrações do 1.º aniversário do partido ANAMOLA, realizadas no sábado, 15 de Agosto, no campo da Sagrada Família, na cidade de Quelimane.

Num comunicado oficial, a corporação sustenta que a actuação policial esteve relacionada com questões de segurança e com o elevado movimento de pessoas registado na cidade durante o período do carnaval, que decorre entre 14 e 23 de Agosto.

Segundo a PRM, os organizadores do evento haviam sido previamente notificados para que a actividade se limitasse a um “show-mício” dentro do recinto do campo da Sagrada Família. A polícia afirma que a realização de uma marcha pelas ruas da cidade não estava autorizada, devido às condições de segurança existentes naquele momento.

A corporação explica que, após o encerramento da concentração, simpatizantes do ANAMOLA teriam formado uma caravana e iniciado uma marcha, contrariando as orientações transmitidas pelas autoridades.

A PRM classifica a iniciativa como um acto de “desacato às autoridades” e afirma que os seus agentes tentaram, através de apelos, impedir o avanço dos participantes.

De acordo com a versão policial, a situação terá ficado tensa quando alguns manifestantes apresentaram, alegadamente, comportamentos agressivos. A corporação afirma ainda que uma pedra foi lançada contra uma viatura policial, provocando danos no para-brisas.

Perante o agravamento da situação, a polícia diz ter recorrido ao gás lacrimogéneo durante aproximadamente cinco minutos, com o objectivo de dispersar os participantes e impedir que a marcha prosseguisse.

A PRM rejeita, entretanto, as acusações de que os agentes tenham utilizado munições reais durante a intervenção. A corporação sustenta que a resposta policial se limitou ao uso de meios considerados necessários para controlar a situação.

Abelhas agravam situação

Um dos momentos mais invulgares do episódio ocorreu quando o gás lacrimogéneo terá atingido uma zona próxima onde se encontrava um enxame de abelhas.

Segundo o comunicado, a perturbação provocada pelo gás levou as abelhas a atacar as pessoas que se encontravam nas imediações do local.

O ataque provocou vários feridos, tendo pelo menos um simpatizante do ANAMOLA ficado em estado considerado grave e necessitado de assistência hospitalar.

O episódio acabou por aumentar a tensão e a confusão no local, juntando às consequências da intervenção policial as ferroadas provocadas pelo enxame.

PRM invoca histórico de violência na Zambézia

Para justificar a necessidade de uma intervenção preventiva, o Comando Provincial da PRM faz referência ao histórico de manifestações e episódios de violência registados na província da Zambézia, incluindo acontecimentos relacionados com protestos pós-eleitorais e outros casos de desordem pública.

A corporação menciona ainda episódios de linchamento associados a rumores e boatos que circularam na sociedade, incluindo alegações sobre o suposto “atrofiamento de órgãos genitais masculinos”, fenómeno que, segundo a polícia, teria contribuído para situações de violência colectiva no passado.

Com base nesse histórico, a PRM defende que a intervenção em Quelimane teve como finalidade evitar que a marcha evoluísse para actos de vandalismo ou outros episódios de violência.

A polícia considera que o incidente poderia ter sido evitado caso os participantes tivessem respeitado as orientações previamente transmitidas pelas autoridades e permanecido no recinto autorizado para a realização do evento.

A intervenção policial durante as comemorações do aniversário do ANAMOLA gerou, entretanto, reacções e debate nas redes sociais, sobretudo em torno da legalidade e proporcionalidade da resposta das forças de segurança.

Enquanto a PRM sustenta que actuou para garantir a ordem e a segurança públicas, sectores ligados ao partido e participantes do evento contestam a forma como a manifestação foi dispersada e levantam dúvidas sobre a actuação policial.

O episódio coloca novamente em evidência o desafio de conciliar o direito de reunião e manifestação com as exigências de manutenção da ordem pública, particularmente em períodos de grande concentração popular na cidade de Quelimane. Clique e acompanha mais...

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